demares-and-proffs-sm

por Simón Sedillo
16 de Março, 2009
www.elenemigocomun.net

O 23 de outubro de 2006, o Lawrence Journal World, ou LJ World, publicou um artigo que silenciosamente desvelou um escândalo na Universidade de Kansas em Lawrence, Kansas, EUA. No 2005, o departamento de geografia da universidade recebeu pelo menos $500,000 dólares de fundos do Departamento de Defesa para mapear terras comunais indígenas nos estados de San Luis Potosí e Oaxaca, México.

Como resultado dessa história, o 26 do novembro de 2007, elenemigocomun.net publicou um artigo de acompanhamento sobre o escândalo do financiamento chamado “O Caminho ao Inferno”, que aprofunda nos possíveis danos que podem provocar esse tipo de projeto do mapeamento financiado pelo exército. Desde a publicação desse artigo em 2007, eu (Simón Sedillo) e um crescente número de membros comunitários e estudantes de ambos lados da fronteira mexicana com os Estados Unidos, temos nos envolvido em várias e extensas pesquisas sobre os detalhes desta pesquisa em particular. Nossa crescente preocupação gira em torno da falta de ética acadêmica, devido à ausência de transparência com as comunidades em relação ao financiamento do projeto, além de sérias violações por parte do Exército dos Estados Unidos à soberania de México e à autonomia indígena. Nossa pesquisa coletiva durante o último ano resultou em várias evidências irrefutáveis que demonstram tanto as violações da ética acadêmica, como as violações contra a soberania do México e a autonomia indígena.

O Escândalo

Os professores de geografia da Universidade de Kansas Peter Herlihy e Jerome Dobson, receberam o financiamento para seus projetos de mapeamento, chamados as “Expedições Bowman” da Oficina de Estudos Militares no Estrangeiro (FSMO por sua sigla em inglês), localizada na base militar estadunidense do Forte Levenworth em Levenworth, Kansas. A versão mexicana desse projeto chama-se “Mexico Indigena” e em 2005 começou a mapear uma região indígena conhecida como a “Huasteca”, que se localiza parcialmente no estado do San Luis Potosí. Depois mudaram suas atividades para o estado de Oaxaca, durante o levante popular, de abrangência estadual, da APPO (Asemblea Popular de los Pueblos de Oaxaca) em 2006.

Em 14 de janeiro de 2009, a UNOSJO (Union de Organizações da Sierra Juárez de Oaxaca), lançou um comunicado no qual expressa sua preocupação ante a biopirataria do projeto do mapeamento Mexico Indigena, e assegura que as comunidades foram defraudadas, ao não terem idéia de que um dos financiadores principais do projeto era a FMSO. A UNOSJO denuncia uma clara falta de transparência e suspeitas adicionais de implicações relacionadas com o controverso Sistema de Mapeamento de Terreno Humano do exército estadunidense. De fato, existe evidência significativa de que a FMSO está envolvida no que eles mesmos denominam de “Manejo de Informações Civis em Apoio a Operações Contra-insurgentes.”

As Respostas Oficias

Depois da publicação do artigo de elenemigocomun.net, a equipe de Mexico Inidgena publicou um resposta oficial às preocupações criadas pelo financiamento militar. Desde então, o escândalo tem ganhado repercussão e várias comunidades indígenas e organizações oaxaquenhas estão exigindo respostas. Por que não foram informadas sobre o financiamento militar? Para que o exército utilizará esses mapas? Existe ética nisso tudo?

Diante destes sérios assuntos internacionais, tanto a equipe de Mexico Indígena, como o professor de geografia da Universidade de Kansas, Jerom Dobson, e a Sociedade Geográfica Americana (AGS por sua sigla em inglês), da qual Dobson é o presidente, tem publicado declarações em separado sobre a situação. Todas as declarações asseguram transparência, padrões éticos e a melhor das intenções para com as populações indígenas que estão sendo mapeadas. A AGS vai um passo adiante e nega qualquer vínculo com o Sistema do Mapeamento de Terreno Humano do exército estadunidense.

As Contradições

Primeiramente, as Expedições Bowman são chamadas assim em homenagem ao pai da exploração e imperialismo geográfico norte-americano, Isaiah Bowman. Uma nova biografia de Bowman escrita por o Neil Smith, “O Império Americano: O Geógrafo de Roosevelt e o Prelúdio para a Globalização”, nos traz a luz um acadêmico racista e arrogante que usou sua ciência e a Academia pra promover posições políticas e econômicas imperialistas por todo o mundo. Smith escreveu que Bowman capturou vários indígenas quéchuas e os usou como animais da carga durante suas expedições pelo Peru, que o levaram ao “descobrimento” de Machu Pichu. Este é tão somente um dos muitos exemplos no livro de Smith, que ilustram a natureza arrogante do geógrafo.

A UNOSJO declara que nem eles, nem as comunidades às quais representam, em nenhum momento foram colocados a par do financiamento da FMSO por trás do projeto Mexico Indigena. Na segunda conferência de imprensa da UNOSJO em 19 de fevereiro de 2009, Aldo González acrescentou que originalmente várias comunidades oaxaquenas negaram-se a receber o projeto Mexico Indignena em seu território porque alguém notou um símbolo da FMSO aparecendo em alguns dos mapas que lhes mostraram para promover o projeto. Aldo continua, assegurando que nas comunidades da UNOSJO os mapas mostrados já não tinham o símbolo da FMSO, e que em nenhum momento lhes foi mencionada esta fonte financiadora.

Nos informes de Mexico Indigena publicados em 2008, os coordenadores expressaram claramente uma e outra vez, “Nós (a equipe de Mexico Indigena) continuamos buscando melhores maneiras de mostrar a complexa informação geo-espacial que se requer para entender o panorama cultural e/ou terreno humano, num formato fácil de usar e accessível para a internet”. Também na pagina do rede mundial de computadores do professor de geografia da Universidade de Kansas, Peter Herlihy declara-se o seguinte, “Nossa base de dados GIS multi-escala foca-se em criar o panorama cultural digital (também chamado terreno humano) do Mexico Indigena.”

Os membros da equipe de Mexico Indigena tem viajado à Colômbia com agentes da FMSO. Na Colômbia, os usos contra-insurgentes e de estratégia militar deste tipo de projetos de mapeamento não podem ser disfarçados de altruístas, ou de ter outras intenções. Ninguém é capaz de imaginar um “lindo e feliz” mapeamento de terras na Colômbia nas mãos do exército estadunidense. Então, ou o Mexico Indigena está mentindo, ou estão fazendo-lhes de bobos, mas, no entanto, as implicações e intenções do projeto não poderiam ser mais evidentes.

O Fator Demarest:

As expedições Bowman foram subvencionadas pela FMSO, baseadas no Fort Levenworth. O Oficial designado para as Expedições Bowman é o Tenente Coronel Geoffrey B. Demarest. Demarest é o investigador para América Latina da FMSO. Durante sua carreira militar de 23 anos, o Dr. Demarest serviu em diversas tarefas pelo continente latino-americano e é graduado na Escola das Américas do exército dos Estados Unidos, além de ter estudado cursos de Representação Militar, Oficial de Áreas Estrangeiras, Estratégias de Defesa, e do Instituto de Linguagem do Departamento de Defesa, entre outros. Escreveu numerosos artigos tratando do tema de “conflitos internos”, incluindo “A Sobreposição das Responsabilidades Policiais e Militares na América Latina”. O primeiro livro do Dr. Demarest, Geopropriedade, considera a propriedade geográfica um assunto de segurança nacional e de estratégia militar. Suas áreas de interesse acadêmico incluem Ameaças Emergentes e Respostas, Novas Alianças Estratégicas, História Militar, e Direito Internacional. O Dr. Demarest tem um doutorado em Estudos Internacionais, Pós-graduação em Estudos Internacionais da Universidade de Denver e anteriormente trabalhou como advogado. Como catedrático, Demarest fala publicamente sobre a legalidade de espionagem.

A Oficina de Serviços Militares no Estrangeiro (FMSO) é um centro de investigação e análises sob o Comando de Treinamento e Doutrina do Exército Estadunidense, Subdireção de empregados G2 (classe governamental de inteligência). O FMSO administra e opera o Centro de Inteligência de Reservas Conjunta (JRIC por suas siglas em ingles) de Fort Levenworth e conduz programas analíticos enfocados em ameaças assimétricas e emergentes, desenvolvimentos regionais militares e de segurança, além de outros temas que definem ambientes operacionais evolutivos em todo o mundo. As ameaças assimétricas definem-se como organizações terroristas e exércitos guerrilheiros insurgentes. Por outro lado, as ameaças emergentes são definidas como fenômenos sociais e em particular os movimentos sociais.

Seis ensaios, com restrição de acesso removido, publicados pelo Tenente Coronel Demarest da FMSO, são a principal evidência das sinistras intenções das Expedições Bowman. Os ensaios de Demarest: Inteligência Tática e Conflito de Baixa Intensidade; As Implicações Estratégicas do Direito Internacional; Mapeando Colômbia: A Correlação Entre a Informação Geográfica e a Estratégia; Geopolítica e Conflito Armado Urbano na América Latina; e A Sobreposição do Exército e a Policia na América Latina, contradizem diretamente quaisquer das declarações públicas sobre as principais intenções expressadas pela equipe de Mexico Indigena, as Expedições Bowman, ou a Sociedade Geográfica Americana. Demarest pulicou também um livro inteiro intitulado: Geopropriedade: Questões Internacionais, Segurança Nacional e Direitos de Propriedades, que está à venda para qualquer pessoa por US$150 dólares aproximadamente. É este texto que expressa detalhadamente a opinião de Demarest sobre os usos militares das Expedições Bowman, ou seja, do projeto Mexico Indigena. Um sétimo ensaio, escrito pelo major da FMSO, José M. Madera, Reserva do Exército de Estados Unidos, intitulado Manejo de Informação Civil em Apoio a Operações Contra-Insurgentes: Um Caso para o Uso de Sistemas de Informação Geoespacial na Colômbia, descreve com detalhada especificação os usos para inteligência e contra-insurgência de informação proporcionada por estes textos e ao uso desses dados geográficos para operações militar estadunidenses na Colômbia. Estas operações militares são financiadas pelo conhecido Plan Colombia. Recentemente, o governo dos Estados Unidos votou a favor de uma operação parecida no México conhecida como a Iniciativa Mérida. Comunidades e organizações no Mexico apelidaram a Iniciativa Mérida de Plan Mexico. Ambos pacotes de financiamento usam como desculpa o narco-terrorismo para seguir militarizando comunidades. O Plan Colombia praticamente não tem alcançado nenhum resultado nos últimos dez anos.

Estes sete ensaios da FMSO e o livro de Demarest expõem uma ética bem particular e sinistra sobre a atitude e estratégia militar para o controle de grandes populações pobres, indígenas e dos “desterrados”, ou sem-terra, em geral. Estas atitudes, em especifico, incluem a desvalorização sistêmica de qualquer forma de autogoverno e autodeterminação indígena. A identidade cultural é em si mesmo considerada como um impedimento para a prosperidade. Em particular, as formas tradicionais de uso e o direito sobre as terras comunais, ou nas palavras de Demarest, o “uso informal de terras”, são identificadas como o impedimento primário para o progresso e a segurança nacional. Especificamente, os ensaios de Demarest asseguram que as propriedades informais, tanto nas zonas rurais como urbana, são campos férteis para atividades criminosas ou insurgentes.

As soluções que Demarest fornece para o dilema de seguridade do “uso informal de terras” e a pobreza em zonas urbanas e rurais são a desvalorização, a segregação, e a criminalização sistemática destas comunidades. Estas incluem desde favelas nas periferias das metrópoles urbanas até terras comunais indígenas para cultivo, inclusive bairros pobres com filas e filas de propriedades para alugar. Em sua visão global dos “excluídos”, Demarest avalia as comunidades pobres como merecedoras de uma segregação sistemática, por sua propensão a atividades criminosas e a auto-organização. Ele declara especificamente sua preocupação sobre a criminalidade em grandes áreas de “excluídos”, e como podem converter-se em zonas autônomas, governadas de modo independente. Demarest ainda admite, que mesmo que esta percepção, atitude, ou estratégia não é mais aceita abertamente nos Estados Unidos, é absolutamente coerente emprega-la em grande escala sobre os povos da América Latina. Contudo, é dolorosamente óbvio que as atitudes e estratégias expressadas por Demarest relaciona-se diretamente a sistemas de “desterramento” e despejo urbano também dentro dos bairros pobres dos Estados Unidos.

Demarest afirma que a privatização da propriedade é a chave para a estabilidade, a prosperidade, o progresso e a segurança na América Latina; e que a titulação formal de terras leva ao controle e governo efetivos da terra e de seus habitantes. Na proposição de Demarest sobre a propriedade e segurança, a propriedade de valor existente deve ser assegurada contra comunidades próximas, potencialmente instáveis e pobres, através de um fenômeno que descreve como a “arquitetura de controle”. Ele conclui que o uso informal e não-regulado de terras deve ser privatizado para que a segurança e a prosperidade imperem. Do princípio ao fim, a análise estratégica de Demarest sobre a propriedade privada identifica as terras comunais dos camponeses indígenas de Oaxaca, no México, e a propriedade alugada dos trabalhadores pobres em Los Angeles, Califórnia, nos EUA, como impedimentos para o progresso, o desenvolvimento, e a segurança. Demarest define os distúrbios de 1992 em Los Angeles como um êxito do que ele chama de a arquitetura de controle, onde o distrito financeiro logrou isolar-se das massas revoltosas, sofrendo apenas danos mínimos à propriedade.

Desde a proteção da propriedade existente, até o “desterramento” sistemático de comunidades pobres para lograr a propriedade privada, formal e escriturada do território possuído “informalmente”, Demarest situa as Expedições Bowman, o projeto Mexico Indigena, os professores de geografia da Universidade de Kansas e a AGS num incomodo dilema ético. Mais ainda, o Tenente Coronel Geoffrey B. Demarest e a FMSO põem a toda a academia estadunidense num nó ético que requer uma solução imediata.

Uma pergunta sobre ética para todos, não só para soldados e acadêmicos:

Hoje em dia, sob uma nova e histórica era presidencial, os cidadãos dos Estados Unidos estão numa posição única para refletir sobre o passado imediato e identificar uma série de erros muito graves. Pode ser realmente fácil assinalar primeiro a arrogância e volatilidade do governo de Bush, no entanto, sempre é mais difícil determinar a culpabilidade dos cidadãos médios em suas tarefas cotidianas, começando pela apatia, a arrogância, e tudo o que há entre ambas.

Alguns estadunidenses protestaram ligeiramente e resistiram simbolicamente às atrocidades globais e a difamação nacional causada pela presidência de Bush. Muitos outros cidadãos estadunidenses esconderam-se por vergonha de um governo federal disposto a se envolver em estratégias militares, políticas e econômicas pouco éticas e pouco inteligentes, que tem se mostrado um fracasso absoluto para o povo norte-americano. Estes fracassos têm afetado desproporcionalmente aos pobres, enquanto beneficiam aos magnatas e suas instituições corruptas.

O mundo inteiro, com diferentes níveis de acesso a educação e informação, reconhecem que não está tudo bem ao ignorar a soberania nacional, não está tudo bem ao impor uma única cosmovisão e economia política, não está tudo bem em se envolver em atividades militares preventivas, e não está tudo bem em usar a inteligência para a violação dos direitos humanos e comunais mais básicos. Não importa o quão deslumbrantes possam ser os excessos e crimes de George Bush, o povo norte-americano, mais que apenas seu novo presidente, tem a séria responsabilidade consigo mesmo e com o mundo de assumir a responsabilidade do que passou e suas conseqüências, além de evitar que estas coisas aconteçam de novo. Os estadunidenses se devem esse compromisso para salvar sua própria imagem.

A falta de ética dos financiamentos militares para pesquisas acadêmicas pode parecer absurdamente óbvia para qualquer um que tenha uma noção de soberania, autonomia, comunidade ou autodeterminação. Infelizmente, depois de seguidas gerações de constante incitação a guerra e ao medo, é claro que se tornou cada vez mais difícil para o povo estadunidense compreender esta simples contradição. Não importa a perspectiva que se tem deste tema, este caso em particular representa uma violação evidente aos padrões éticos para qualquer instituição educativa. Os cidadãos estadunidenses em geral, e os acadêmicos em particular, deveriam estar alarmados ante a percepção mundial que se criará sobre este incidente e sobre os cientistas e cidadãos estadunidenses em geral. Os norte-americanos podem se dar ao luxo de provocar mais desdém mundial para com seu país?

Normalmente eu não me interessaria em discutir a ética de qualquer atividade militar na que estejam envolvidos os Estados Unidos de América. Minha preocupação em particular é a maneira em que esta força de combate tem se voltado cada vez menos defensiva e crescentemente mais preventiva e ofensiva. Para mim, pessoalmente, este é um motivo de grande vergonha nacional. Mas para debate-lo, e só por um esforço hipotético, permitam-me defender o direito de uma nação de defender-se. O direito que cada nação tem, sobretudo cada comunidade, de defender-se não deveria ser guiado por uma estreita aderência a uma série de normas, acordos, e padrões éticos que não infrinja direitos tão básicos como a soberania, a autonomia, a autodeterminação, a autogestão, a identidade, e, naturalmente, o território? As Expedições Bowman, o projeto de mapeamento Mexico Indigena, e a Sociedade Geográfica Americana estão ajudando a FMSO a reunir inteligência militar preventiva, violando a soberania nacional do México e a autonomia indígena. Pior ainda, este tipo de coleta de inteligência é uma ameaça direta ao povo mexicano e seu direito coletivo e pessoal de se autodeterminar.

Não é uma coincidência, no entanto, que Mexico Indigena e a FMSO tenham escolhido Oaxaca como local “protótipo” para as Expedições Bowman, no verão de 2006. Escolheram mapear territórios indígenas “possuídos informalmente” num estado durante um levantante social popular com uma base indígena forte.

As atitudes expressadas nos sete ensaios da FMSO anexos a este artigo e no livro de Demarest Geopropriedade, demonstram claramente uma desvalorização sistemática da cultura e identidade indígena, com um particular desdém ante a autodeterminação popular, a auto-suficiência, a autogestão, e sobre tudo o autogoverno. Ademais, a FMSO mostra uma deliberada intenção de segregar e criminalizar grandes porções da sociedade humana simplesmente por serem pobres. Para a FMSO é imperativo que o território e espaço ocupado pelos pobres seja privatizado e regulado para que a segurança e o progresso sejam alcançados. Frente a esta estratégia militar, política e econômica, não é surpreendente que milhões de indígenas, campesinos, operários, estudantes, donas de casa, mães, crianças, trabalhadores e comunidades por todo o mundo, estejam começando a organizar-se e preparar-se com várias estratégias de autodefesa de seu território, sua identidade e sua autodeterminação.

10 Responses to “O Fator Demarest: A Ética do Financiamento para Pesquisas Acadêmicas no México do Departamento de Defesa dos Estados Unidos”
  1. Jen, says:

    Wow. I hope the schools where these people are associated, besides the military people, will review their positions/tenure and funding.

  2. Luis Fernando says:

    Trabajo bien hecho

  3. The Association of American Geographers (AAG) Had its annual conference in Las Vegas, Nevada this past weekend. KU Professor Jerome Dobson of the Bowman Expeditions, was attempting to get, elected the President of the AAG, and was voted down. The following is a transcript of a public conversation held between an AAG memeber and Jerome Dobson, at a presentation at this years conference by Dobson.

    GROSSMAN: Yeah, I have a question of Dr. Dobson, as you know, there’s been alot of ah back and forth over whether particular communities in Oaxaca were informed of the Army funding and participation in your research team by the Foreign Military Studies Office, and in the Indigenous People’s Specialty Group, we’ve gathered documents and posted documents from both sides of the debate, including many of yours, and um we received a letter from the um Municipal Authority of San Miguel Tiltepec on March 17th in which they say, this is the police chief, the commissioner of communal goods that say that they weren’t adequately informed and are asking for cease and desist and return of the data, just wondering if you want to comment on that specific..

    DOBSON: I was, in some of the villages, I was not in Tiltapec, there’s no question in my mind that people knew where the funding was coming from, now, that was clearly communicated to key people do they want to say that now, apparently not. Uh, my reading of what happened is this: some very courageous people in those villages took a step forward, they used this opportunity to advance their villages, to improve their technical skill, to get the data they wanted and then when it became a controversy, that put pressure on them to deny that they knew where the money came from. And, I I know Peter Herlihey is one of the finest people in our discipline. I know he did what he was supposed to do when I was there I saw him, a-and here, I saw him bend over backward to do what was right and to inform people. We had conferences there, we carried people with us from all from DOD and from the department of state with us when we were in the field there was no attempt to hide and I think there was an active attempt to tell them who we were and what we were there for. Uh, I know that in Colombia for example, I went there and presented the case why we were there, what we were interes– what the Bowman expeditions were all about, and both sides accepted that there. So I’m I’m just befuddled by why this has reached this point, Uh I know that the initial charges by Aldo (SP) Gonzales were false, I know that , uh but the uh later subsequent events are, yes

    GROSSMAN: Have you seen this particular letter, and there was a press conference on Youtube, I have copies of it for people

    DOBSON: I’ve seen the video of the press conference

    GROSSMAN: OK

    DOBSON: of the presence of the discussion by the commissario oh uh you know, ah Tultepec, ah, but I also know what was happening when we were there and Peter was there, not not in that village, but I saw what happened in other villages I know Peter is to be trusted, so if he said it, I believe it.

  4. StaN says:

    Bien hecho, es hora de madrear a esos culeros…

  5. Peter Veeck says:

    I wonder if the good old English Commons are classified as dangerous informal breeding grounds by Demarest.
    .

  6. Antonio Gonzalez says:

    Lo que resulta increible es que el gobierno y el pueblo mexicano las actividades de quienes son en principoio un enemigo potencial y no que
    yo lo digo , hace poco el gobierno norteamericano especulaba con la intencion de invadir el territorio mexicano, entonces les estan permitiendo
    colectar informacion sobre el terreno con un evidente proposito militar, no se puede confiar ni en Universidades ni en tipos que se digan son
    o parecen ser cientificos, en el pais del norte todo el universo profesional trabaja para las agencias militares y de inteligencia. Los mexicanos
    se han dejado embaucar sobre algo que es mas que sabido en todo el mundo. Quien puede pensar en buenas intenciones de parte de estas
    gentes que provienen de un pais extremadamente racista, que interes pueden tener estas personas por los indigenas mexicanos sino para
    buscar su exterminio preocupados por su elevado numero ante una eventual ocup[acion de su territorio. Pensar otra cosa es de tontos.

  7. Ian says:

    I personally know several KU people, both Mexican and American, involved in this project, including Peter Herlihy, who is a current professor and advisor of mine. To state that he, or the other KU researchers, would engage in a years-long project to conspiratorially strip indigenous Mexicans of their land and rights is an outrageous claim. Many KU personnel associated with this project have lived in Mexico on and off for years and decades, with the campesinos, in the mountains, in villages, in cities, and in the jungle. They have the utmost respect for Mexican culture and indigenous cultures. Some have actively promoted the maintenance of traditional indigenous culture in the face of neo-liberal reforms.

    Broadly painting these academics as part of a North American conspiracy is easy, alarmist, and attracts readers; it is also irresponsible. Additionally, the claim that this project was timed to coincide with APPO activities is a bit of a stretch. Sedillo fails to mention that the research was being done in Oaxaca state, but not in Oaxaca de Juarez. In any case, Sedillo states that they intentionally moved their operations in order to be closer to APPO activities. So, what were they doing with APPO? Sabotaging the movement? Funneling US funds to anti-APPO paramilitary? Sedillo should not just make an ominous implication without providing a little bit of evidence. These academics are simply conducting fieldwork, not seeking to emulate Kermit Roosevelt.

    Fundamentally, whose responsibility is it to inform and be informed of the source of funding? The researchers or the researched? Herlihy personally told me how the village leaders were aware of Department of Defense funding. Why did they wait until the end of the mapping to be offended by it? Why didn’t they ask more questions sooner (or decline permission) if it was so offensive? If the DOD funding was so secretive, why was the information simply made available on the Lawrence Journal World’s website and the Bowman Expedition’s website? A simple Google search would have revealed any suspicious relationship.

    I conducted research on business development in Oaxaca in the summer of 2008. Was it my responsibility to inform all of my research participants of every facet of my funding, such as who funded my grant and who donates money to the University of Kansas? Should my research be suspect because I was studying commercial business development at the exact time that the Guelaguetza was being commercialized? (Actually I eschewed the commercial Guelaguetza and went to the Guelaguetza Popular).

    Yes, it is true that the US government has historically been irresponsible, unethical, and immoral in achieving its goals (which have frequently been based on arrogance, greed, and racism). Should we be skeptical of US military activities in foreign countries? Yes. Is it possible that sometimes in connecting certain clues and evidence together to uncover a grand conspiracy we are simply wrong, no matter how much we would love to believe in the conspiracy? Yes. Is it appropriate to broadly stroke all those involved as “culeros”? No.

    By the way, many people at the University of Kansas (including some associated with the Bowman Expedition), KU’s Center of Latin American Studies (of which Peter Herlihy is a faculty member), and KU’s Latin American Solidarity have sincerely enjoyed Simon Sedillo’s presentations and “Un poquito de tanta verdad.” I am sure that the University will continue to invite him to present his ideas and work, as they have frequently done in the past.

  8. eec says:

    Z Magazine

    U.S. Military Funded Mapping Project in Oaxaca
    Geographers used to gather intelligence?

    April 2009

    By Cyril Mychalejko
    and Ramor Ryan

    http://www.zcommunications.org/zmag/viewArticle/21044

    Proyecto de Mapeo Financiado por el Ejército de los EE.UU. en Oaxaca
    http://upsidedownworld.org/main/content/view/1808/1/

  9. eec says:

    by SOAW.ORG

    SOA graduate Geoffrey Demarest’s time as Military Attaché at the U.S. Embassy in Guatemala was 1988 to 1991! This covers the time of heavy U.S. backed military repression against indigenous communitis in Guatemala and several high-profile cases of murder and torture (e.g. the Myrna Mack assassination in 1990. In 1989, Sister Diana Ortiz, the founder of the Torture Abolition Survivor Support Coalition here in DC was raped and tortured in Guatemala. During her torture, a man called Allejandro appeared to be in charge. He spoke colloquial English and spoke of contacts with the US Embassy. It also covers the time of the murder of Michael Devine. Allegations have been made that Guatemalan colonel, Julio Roberto Alpirez on CIA payroll, was involved. A review in 1996 showed that Alpirez was on the CIA payroll from 1988-1992 and that he was involved in the cover-up of the murder of Devine and had participated in the interrogation and likely torture of Efraim Bamaca, a captured Guatemalan guerrilla married to an American lawyer (Jennifer Harbury).

  10. gold says:

    Sehr interessant. Kommt hier noch ein weiterer Beitrag? Möchte sehr gern mehr darüber erfahren. Könntest du mir per Mail weiterhelfen?

  11.  
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